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Giro d’Italia 2022: João Almeida sobrevive em etapa épica

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Richard Carapaz - Ciclista

No Giro d’Italia, o ciclista português João Almeida (UAE Emirates) sofreu hoje para se segurar no terceiro lugar da geral da Volta a Itália, numa 14ª etapa épica que ‘deu’ a liderança ao equatoriano Richard Carapaz (INEOS).

O britânico Simon Yates (BikeExchange-Jayco), de 29 anos, cumpriu os 147 quilómetros entre Santena e Turim em 3:43.44 horas, vencendo a etapa com 15 segundos de vantagem sobre o australiano Jai Hindley (BORA-hansgrohe), segundo, e Carapaz, terceiro.

Nas contas da geral, o campeão olímpico em Tóquio2020 assumiu a liderança, com sete segundos de vantagem para Hindley e 30 para João Almeida, hoje sexto, que subiu ainda ao primeiro lugar na classificação da juventude.

Já vestia a ‘maglia bianca’, mas porque o anterior líder da geral, o jovem espanhol Juan Pedro López (Trek-Segafredo), levava a rosa, despedindo-se hoje das duas camisolas ao cair para nono.

A 14ª foi finalmente a etapa de que a 105ª edição, até aqui tendencialmente previsível e muito ‘marcada’ no pelotão, precisava, com ataques e contra-ataques desde o início, a um ritmo frenético, também dado o perfil acidentado e a curta distância percorrida.

Yates, de resto, tentou desde o início, como muitos outros, que procuravam formar uma fuga numerosa que pudesse ter força para discutir a etapa, mas a BORA-hansgrohe acabou por atirar esses planos para o lixo.

A equipa germânica atacou ‘em bloco’ e levou com ela os candidatos à geral que conseguiram seguir a roda, entre eles Carapaz, com João Almeida, como outros, a descolarem.

Aí começou um ‘iô-iô’ particular do luso, que cerrou os dentes e ‘sofreu’ até poder reentrar no grupo, à semelhança do que tinha conseguido no último domingo, na chegada a Blockhaus.

Para trás iam ficando vários nomes, do espanhol Alejandro Valverde (Movistar), outro apanhado no ‘corte’, como Almeida, que não teve consigo elementos da equipa para ajudar.

O mesmo, de resto, aconteceu com quase todos os favoritos, à excepção de Hindley, ‘escudado’, e a frente, após vários ataques do australiano, primeiro, e de Carapaz, depois, partiu-se definitivamente.

Ficou Yates com os dois candidatos a vestir a ‘maglia rosa’ em Turim, juntando-se depois o ‘tubarão’ italiano Vincenzo Nibali (Astana), em ano de despedida da carreira, num quarteto com três anteriores vencedores de grandes Voltas e o ainda jovem Hindley, que foi segundo no Giro em 2020.

No final, um ataque decisivo do britânico, que perdeu muito tempo na primeira semana e não pôde lutar pela geral, fez a diferença, à frente de um trio que conseguiu manter longe a tentativa de Almeida recuperar novamente.

O britânico acabou por se manter a solo e ergueu os braços bem antes da meta em Turim, explicando depois que esta vitória, depois do ‘crono’ do segundo dia, “não cobre” ter perdido o ‘comboio’ da geral.

Tinha vindo para vencer a corrida, não etapas. Espero que continue com pernas. Hoje exigiu muito esforço de toda a gente. Se o calor continuar, vai ser uma semana final muito dura”, analisou.

Se Yates chegou à 10ª vitória em etapas de grandes Voltas, os outros ciclistas ganharam sobretudo na ‘maratona’ até à ‘maglia rosa’, desde logo Carapaz.

O equatoriano venceu a corrida em 2019 e é tido como o grande favorito, tendo Hindley, cuja equipa fez hoje uma demonstração de força, ‘à perna’, e a 30 segundos um João Almeida que, apesar de voltar a descolar na fase decisiva, seguindo depois o seu ritmo ao lado do italiano de 39 anos Domenico Pozzovivo (Intermarché-Wanty-Gobert-Matériaux), que subiu a quinto.

Nibali entrou no top-10, para oitavo, e o espanhol Mikel Landa (Bahrain-Victorious), que parecia distanciado, acabou por reduzir perdas e ainda subiu a quarto, a 59 segundos do líder.

Fora do top-5, fechado por ‘Pozzo’ a 1.01 minutos, todos os ciclistas estão a mais de 1.50, e o 10º, Valverde, está já a 9.06 minutos da camisola rosa.

Na classificação da juventude, o ciclista português lidera com 3.34 minutos para López, com todos os outros a mais de 11 minutos, após um dia rápido e que, em teoria, favoreceria uma fuga, hoje ‘ultrapassada’ pelos homens da geral e pela superior capacidade de Yates.

O dia ficou ainda marcado pelo abandono do neerlandês Tom Dumoulin (Jumbo-Visma), devido a um problema nas costas, e na qual Rui Costa (UAE Emirates) caiu para 54º na geral, com Rui Oliveira, da mesma equipa, a subir a 151º.

No domingo, a 15ª etapa liga Rivarolo Canavese a Cogne em 177 quilómetros, com duas contagens de montanha de primeira categoria e uma de segunda, na meta.

Lusa