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A vida de Gustavo Ribeiro a caminho dos Jogos Olímpicos

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Gustavo Ribeiro - Skateboarding

Gustavo Ribeiro nasceu há 20 anos, em Lisboa, e é o único português a vencer o mítico Tampa AM, o mais antigo campeonato de skaters amadores.

O atleta, que vai representar Portugal nos Jogos Olímpicos, em Tóquio, esteve presente no 1º estágio de preparação da Selecção Nacional de Skateboarding, no Luso.

O skateboarding deixou de ser um hobby para passar a ser uma forma de vida, quando Gustavo tinha 17 anos e decidiu que o skate era o mais importante, altura em que fez um acordo com os pais: «se eu for ao mundial [que era daí a dois meses] e ganhar, vocês dão-me autorização de eu sair da escola».

«Os meus pais disseram: primeiro ganha e depois falamos sobre isso. Passados dois meses fui ao mundial e ganhei. Cheguei a casa e a primeira coisa que disse aos meus pais foi: tínhamos um acordo, portanto vou dedicar-me 100% ao skate».

A partir daqui, o foco de Gustavo para o skateboarding começou a ser total.

«Sempre quis ser profissional de skateboarding, mas foi nesse ponto que me deu o click. Agora não tenho a escola, tenho de me focar a mil por cento» conta-nos, confiante na decisão tomada.

«Se o skateboarding, um dia mais tarde der algo de errado, que duvido que dê, consigo sempre voltar e acabar a escola. Não me preocupo muito, neste preciso momento, está a correr tudo bem».

O que começou por ser um hobby apaixonante, transformou-se naquela que considera ser hoje a sua profissão.

«Neste preciso momento, sinto que é a minha profissão porque moro sozinho, o dinheiro todo que eu recebo vem do skate e eu sei que, se parar de andar de skate ou se me desleixar um bocadinho, dia sim, dia não, os patrocinadores podem acabar e o dinheiro que eu recebo pode acabar, portanto, vejo como profissão».

Desejando sempre chegar ao patamar onde está hoje, Gustavo não imaginou que pudesse acontecer tão rápido, aos 20 anos.

«Imaginei que poderia acontecer e sabia que ia acontecer, mas não sabia que ia acontecer tão rápido. Não sabia que quando tivesse 20 anos já pudesse estar aqui e no patamar onde estou, mas sempre soube que era possível. Trabalhei para isso, claro. Mas sempre acreditei, só não sabia é que ia ser tão cedo».

Esta é uma fase em que, a realidade do skateboarding como desporto e não como lifestyle, começa a ser conhecida dos portugueses, assim como o facto de o nosso país ter um atleta entre os melhores do mundo, o que para Gustavo «é desafiante e sentes que tens muita responsabilidade em cima de ti.»

«Sentes que não podes fazer tudo o que tu queres e tens de dar sempre o exemplo aos outros. Tens muitas pessoas que seguem o teu trabalho e que um dia querem ser como tu ou ser melhor do que tu. Então, tens sempre de ter na cabeça que tens de ser uma pessoa muito bem comportada, tens de ser uma pessoa que faz tudo correctamente, que treina horas e horas seguidas para chegar ao patamar».

Ciente da responsabilidade que acarreta, Gustavo explica também como lida com a pressão.

«A partir do momento em que tudo acontece, parece que quanto mais tempo passa, com mais pressão ficas e mais te pressionas a ti próprio. Pelo menos comigo, é saudável, porque gosto de trabalhar sob pressão e gosto de me sentir pressionado para ter vontade de fazer mais coisas. É uma coisa que me desafia. Às vezes corre bem, às vezes corre mal, como tudo na vida», acrescenta.

skater português é um dos mais novos a competir na variante de Street nos Jogos Olímpicos. O objectivo é ganhar o ouro.

«Vou com o objectivo de ganhar uma medalha de ouro. Vou lá tentar fazer o meu máximo. Todas as pessoas que lá estão são muito boas, todos podem ganhar, mas já que estou lá, vou com o objectivo de ganhar, como é lógico».

Mas os objectivos não ficam por aqui. Profissional aos 17 anos, Gustavo trabalha para prolongar a carreira neste desporto e participar em pelo menos mais dois Jogos.

Para tal, treina com afinco e vai participar em duas provas de preparação «uma no final de maio e outra no início de junho, que são as duas últimas etapas de qualificação para os Jogos, que estou a contar lá ir ganhar».

No horizonte está a perspectiva que o seu irmão gémeo, que com ele compete, tenha a possibilidade de o acompanhar na participação nos Jogos. Será este um desporto de família? Gustavo responde: «Sim e não».

«É de família porque, desde que comecei a andar de skate, tive sempre o meu mano ao lado mas, ao mesmo tempo, não é de família porque eu compito contra ele. É aquela rivalidade entre mim e o meu mano. Mas se eu não ganhar e ganhar o meu mano, fico super feliz e sei que se ele não ganhar e eu ganhar, ficamos super felizes».

Para Gustavo, «nós somos uma pessoa dividida em dois. Se eu não ganhar, ganho eu na mesma porque ganha o meu mano. Como ao contrário. Em relação aos Jogos, ficava super feliz. Quem me dera que o meu mano fosse comigo. Não é impossível. Ele precisa de uma final. É bastante difícil mas não é impossível. Se ele conseguir meter isso na cabeça, tudo é possível. Tem treinado para isso. Estou positivo que tudo possa acontecer e espero que ele venha comigo para os Jogos».

FPP