Kathrine Switzer, a mulher que revolucionou a Maratona de Boston

Kathrine Switzer, a mulher que revolucionou a Maratona de Boston

Um incidente ocorrido com esta mulher, que foi a primeira a participar na Maratona de Boston, em 1967 ajudou a mudar o mundo do desporto feminino

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Kathrine Switzer

O enorme feito da corredora norte-americana Kathrine Switzer vai voltar a ser recordado no próximo dia 17 de Abril, durante a realização da 121ª edição da Maratona de Boston.

Switzer foi a primeira mulher a participar na prova (antes só era permitida a inscrição de homens), e a sua presença pelas ruas de Boston não foi nada pacífica, pois durante a corrida um dos funcionários que garantia a segurança dos atletas tentou deitar a corredora ao chão (apenas por ela ser mulher), que não chegou a cair graças ao apoio de outros corredores que corriam ao lado dela.

Tudo aconteceu no ano de 1967, e por isso a organização da corrida deste ano não quis deixar passar em claro um dos momentos que ajudou a mudar as mentalidades, agora que se passaram 50 anos.

Por isso convidou a atleta dos Estados Unidos a participar na corrida deste ano e estendeu o convite a mais 114 mulheres e 7 homens, que vão tentar angariar fundos para a 261 Switzer Fearless Inc (http://www.261fearless.org/), ONG sem fins lucrativos que ajuda mulheres em dificuldades por todo o Mundo. [n.d.r. o nome da organização foi inspirado no nome da atleta e no número do dorsal que esta usava na mítica corrida].

Em declarações ao site oficial da organização, Switzer referiu que “é uma honra participar nesta edição da prova e ainda bem que um incidente dramático ocorrido em 1967 foi uma rampa de lançamento para a participação de mulheres em provas internacionais e mediáticas”.

“Para além de lançar as mulheres para outros feitos, o incidente também ajudou a mudar a mentalidade dos homens e da sociedade em geral, pois agora até há mais mulheres do que homens nas corridas norte-americanas”, disse também Switzer.

Rosy Spraker, directora-geral da 261 Switzer Fearless Inc. explicou que “Kathrine não quebrou só as mentalidades atrasadas de 1967, ajudou a quebrar as mentalidades ao longo de 50 anos; felizmente as pessoas estão cada vez mais abertas e isso reflecte-se no dinheiro conseguido pela associação, que nos vai ajudar a criar clubes não competitivos, a formar treinadores e a formar mulheres por todo o Mundo, desde Massachusetts até à Albânia”.

O incidente que envolveu Switzer levou a Boston Athletic Association (BAA) a criar uma corrida exclusivamente para atletas femininas, devido ao enorme desejo de participação que estas atletas demonstraram a partir de 1967.

Switzer foi 3º na mítica corrida, participou durante 8 anos consecutivos e tem um recorde pessoal de 02h51m37s, obtido na edição de 1975, curiosamente o último ano em que Switzer participou.

Joanne Flaminio, presidente da BAA, revelou que “é uma honra receber Kathrine na nossa prova; ela quebrou as barreiras e desenvolveu o desporto feminino, por isso iremos estar na linha de chegada e aplaudir esta grande mulher quando ela terminar a corrida”.

No entanto terminar não será fácil, pois Kathrine Switzer tem agora 70 anos, e apesar de estar a “treinar forte” pode não ter forças para correr 42 Km, mas o que interessa é a “celebração, inclusão e gratidão, não interessa o tempo, não interessa terminar, interessa agradecer a uma cidade e a milhares de pessoas maravilhosas que têm feito muito para dar força e auto-estima a todas as mulheres”, finalizou a atleta norte-americana.