Artigo de Opinião: "E a culpa é minha?", pergunta o treinador

Artigo de Opinião: "E a culpa é minha?", pergunta o treinador

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É público e notório que neste momento o Sporting tem um problema, pois uma equipa que se diz “candidata ao título” estar à 9ª jornada a 12 pontos da liderança na Liga Sagres, não é certamente uma “situação perfeitamente normal” (como diria o ex-treinador Artur Jorge).

Costuma-se dizer que quando um clube não ganha a culpa é dos jogadores, pois são esses 15/16 atletas que entram em campo todos os fins-de-semana e atiram a bola para fora ou para dentro das redes dos adversários.

Porém, há sempre a figura do bode expiatório, que leva com as culpas todas quando as coisas correm para o torto, ou seja, o treinador.

No caso do Sporting, como em quase todos os casos, foi o treinador quem saiu, cansado de ser o único “culpado” da fraca prestação do Sporting.

Se as saídas de Carlos Azenha, do V. Setúbal, e de Carlos Carvalhal, do Marítimo, por exemplo, não foram estranhas, o mesmo não se pode dizer da de Paulo Bento.

O ex-treinador do Sporting colocou o clube em 2º lugar durante as últimas 3 temporadas, ganhou duas Taças de Portugal (algo que o clube já não ganhava há muitos anos) e duas Supertaças (os dois troféus contra o super-poderoso F.C. Porto). Nunca foi campeão, mas tirando a época 2007/2008 esteve na luta até à última jornada, podendo até se queixar de algumas decisões das equipas de arbitragem, nomeadamente aquela onde não é anulado um golo marcado com a mão por Ronny do P. Ferreira, num jogo que custou ao Sporting a derrota e a consequente perda do Campeonato, pois os “leões” ficaram a apenas 1 ponto do campeão F.C. Porto.

O que o leitor poderá agora estar a perguntar, é o seguinte: “Se Paulo Bento é tão bom, porque é que a equipa está a jogar tão mal e a produzir resultados impensáveis para um candidato ao título ?”.

A resposta não é conhecida, nunca foi tornada pública e, se calhar, nem os responsáveis do Sporting a sabem.

Mas, se o treinador é o mesmo e o plantel é idêntico ao do ano passado (tirando uma ou outra situação), porque é que os resultados são completamente diferentes? O que foi que mudou?

Desde Maio até Novembro deste ano, a única coisa que mudou foi a figura do presidente: saiu Filipe Soares Franco e entrou José Eduardo Betencourt; e o problema pode estar aí.

Depois de ganhar a eleição com 90% dos votos, Betencourt disse que ia continuar na mesma linha de Soares Franco, só que não foi bem assim.

Apesar de continuar com a “contenção financeira”, Soares Franco nunca disse que ficar em 2º lugar na Liga Sagres já era “um grande resultado para o Sporting”; nunca disse que Paulo Bento tinha que fazer “boas omeletes com poucos ovos”, porque os outros (F.C. Porto e Benfica) também as fazem (o que claramente não corresponde à verdade, pois basta ver o que é que Quique Flores fazia no ano passado, e o que é que Jorge Jesus faz este ano na equipa do Benfica).

Além disso, Soares Franco não aumentava o ordenado a um jogador, tal como fez Betencourt com Liedson, dizendo que não havia aumentos para os outros; nunca disse que jogadores dispensáveis, e que não arranjassem clube (casos de Stoijcovic e, durante muito tempo, Ronny), não deviam receber ordenado; e também não ganhava 1500€ mensais apenas para gerir o clube.

O novo presidente diz que o Sporting não tem dinheiro para reforçar o plantel, mas depois lemos, em várias páginas espalhadas pela Internet, que a direcção embolsa mais de 10.000 euros por mês em ordenados, já não contando com os charutos cubanos que Betencourt e os seus pares devoram nas bancadas VIPs dos estádios por onde o Sporting passa.

O novo presidente diz que o Sporting não tem dinheiro, mas ninguém sabe onde param os 7 milhões de euros provenientes da UEFA, graças à boa campanha na Liga dos Campeões 2008/2009.

O novo presidente diz que o Sporting não tem dinheiro, mas Felipe Caicedo e Miguel Angel Angulo (os únicos reforços da equipa) custaram certamente menos que os 2 milhões de euros que os “leões” receberam por terem jogado duas eliminatórias da Liga dos Campeões 2009/2010.

Um comportamento que Soares Franco também não tinha, era “responder” aos protestos dos adeptos, criando ainda mais “tensão”. Toda a gente se lembra certamente da “triste cena” protagonizada por Betencourt quando a equipa do Sporting aterrou em Lisboa após ter sido eliminada da Champions. Para quem não se recorda, posso dizer que o sr. presidente leonino virou-se para um adepto mais exaltado e com “cara de poucos amigos” disse “Cala-te…” murmurando mais algumas palavras que não se perceberam, mas quem teve presente no aeroporto garante ter sido “palhaço de m….”.

Em 4 anos de gestão, nunca apareceu na primeira página de um jornal desportivo a notícia de que Soares Franco quisesse bater num adepto sportinguista, mas na primeira página da edição de hoje do Record aparece o nome de Betencourt ligado a uma notícia de violência.

Por fim, Soares Franco nunca chamou “cretino” a qualquer sócio do Sporting e nunca disse que havia sportinguistas “terroristas” que deviam ser “varridos” de Alvalade, mas o mesmo já não se pode dizer do novo presidente, que ainda hoje fez questão de reafirmar as “estranhas” declarações.

Dizer que isto é continuar na linha de Soares Franco, não sei o que é ser diferente da linha do ex-presidente, mas uma coisa é certa: os resultados desportivos não são os mesmos da era Bento/Franco e já se viu que os adeptos sportinguistas não vão tolerar isto por muito mais tempo.

Agora que o bode expiatório já se foi embora, se as coisas continuarem “tristes e feias” para os lados de Alvalade, os adeptos do Sporting começarão a perceber que afinal um treinador pode não ser sempre o culpado dos maus resultados de uma equipa de futebol.

Jornalista: João Miguel Pereira

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