Rio 2016: Nelson Oliveira veste fato de contra-relógio feito à medida

Rio 2016: Nelson Oliveira veste fato de contra-relógio feito à medida

Um fato mais leve, aerodinâmico e totalmente feito à medida do ciclista, em termos anatómicos e resposta às necessidades térmicas e refrigeração.

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Já imaginou um fato de contra-relógio mais leve que os demais, aerodinâmico e totalmente feito à medida do ciclista, tanto em termos anatómicos como de resposta às necessidades térmicas e de refrigeração do organismo? Vai ser este produto de ‘alfaiataria científica’ que Nelson Oliveira utilizará no contra-relógio dos Jogos Olímpicos, no dia 10 de Agosto.

A apresentação do equipamento realizou-se hoje na Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI), unidade de investigação do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra.

O equipamento, que mantém a imagem de marca tradicional da Selecção Nacional de Ciclismo, inova no design e nos materiais. A concepção do fato de contra-relógio só foi possível com um trabalho que envolveu diferentes entidades. A Universidade de Coimbra, através da Faculdade de Ciências do Desporto e o Departamento de Engenharia Mecânica, realizou os testes em túnel de vento e a simulação das condições ambientais – temperatura e humidade relativa – do Rio de Janeiro.

Esses testes permitiram detectar a reacção do organismo de Nelson Oliveira ao esforço físico naquelas condições, dando indicações termográficas sobre as áreas corporais que mais aquecem e que, por isso, têm maiores necessidades de refrigeração.

Com esses dados, a P&R Têxteis, através da marca ONDA, que fornece a roupa de competição das Selecções Nacionais de Ciclismo, desenvolveu o equipamento. Para isso contou com a colaboração do CITEVE, que realizou ensaios de respirabilidade, gestão de humidade e permeabilidade ao vapor de água de diferentes tecidos. A partir dos resultados dos testes aos materiais, a ONDA assegurou o design, engenharia e desenvolvimento do produto, optimizando a selecção de tecidos para as diferentes zonas do fato e proporcionando uma redução de peso de aproximadamente 20 por cento em relação à versão anterior.

Todo este processo permite que hoje tenha sido apresentado um equipamento totalmente à medida de Nelson Oliveira, tanto no tamanho e na adaptação anatómica ao corpo do ciclista, como na resposta às necessidades de regulação térmica do organismo.

“Este fato foi desenvolvido para responder às questões de aerodinâmica e de respirabilidade. É um equipamento muito melhor do que os anteriores. Para quem anda de bicicleta basta olhar para perceber a qualidade. Está muito bem trabalhado, com tecidos adequados”, descreveu Nelson Oliveira.

O professor Amândio Santos, da Faculdade de Ciências do Desporto da Universidade de Coimbra, realçou que os próprios testes servem de preparação para as condições que serão encontradas no Rio de Janeiro.

“O nosso objectivo é dotar os treinadores e os atletas das condições que ajudem a debelar as dificuldades. Quando estiverem sob estas condições, no Rio de Janeiro, o corpo vai avivar uma memória e adaptar-se mais facilmente”, explicou o investigador.

“As condições de humidade relativa têm importância, sobretudo, quando se está em esforço. Nessas circunstâncias a transpiração representa 60 a 70 por cento do balanço térmico”, complementou o professor Manuel Gameiro, do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra.

“Este equipamento nasce de testes e ensaios, tendo em conta respirabilidade, gestão de humidade e permeabilidade ao vapor de água de diferentes tecidos. Conseguimos reduzir em 20 por cento o peso face à geração anterior de equipamentos, mesmo tendo o compromisso de manter tecidos com maior compressão nas pernas, porque isso é fundamental para o desempenho desportivo”, conta Hélder Rosendo, director-geral da P&R Têxteis.

“Temos corredores de grande nível, que se batem com os melhores internacionalmente. Prepararam muito bem os Jogos Olímpicos, estão motivados e têm possibilidade de obter bons resultados. A Federação faz a sua parte, dar as melhores condições que conseguimos a estes atletas”, resumiu o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Delmino Pereira.

Estes fatos também serão usados por David Rosa e por Tiago Ferreira na prova de BTT dos Jogos Olímpicos, no dia 21 de Agosto. Os testes com os corredores de BTT ainda se irão realizar.