Jogos Olímpicos: Tragédias, boicotes e outros factos ao longo de 80 anos

Jogos Olímpicos: Tragédias, boicotes e outros factos ao longo de 80 anos

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Geralmente política e desporto não se misturam, mas ao longo da história os maiores eventos desportivos têm sido marcados por questões políticas, que mancharam o que deveria ser uma festa.

Por ser o maior evento à escala planetária, os Jogos Olímpicos têm sido o “alvo” preferido dos “protestantes”, e já houve uma grande tragédia, que nada teve a ver com a vertente desportiva.

A primeira “intervenção” da política nos Jogos Olímpicos data de 1936, quando a competição se disputou em Berlim (Alemanha); na altura, Hitler estava no poder e queria que os Jogos fossem uma demonstração da superioridade da raça ariana.

No entanto, quem acabou por brilhar foi o atleta Jesse Owens, que era negro; o norte-americano ainda subiu à tribuna VIP do estádio, para cumprimentar Hitler (como faziam todos os atletas vencedores de medalhas), mas o ditador abandonou o local visivelmente irritado, não cumprimentado mais ninguém.

A II Guerra Mundial fez cancelar várias edições dos Jogos Olímpicos, que regressaram em força no ano 1956, com a realização do grande evento, em Melbourne, na Austrália.

Devido à invasão da Península do Sinai por parte do exército israelita, o Egipto, o Iraque e o Líbano disseram que só iam aos Jogos se Israel fosse banida; como não foi, os 3 países decidiram que não iriam participar no evento.

Quem participou foi a Hungria e a União Soviética, que viviam em clima de grande tensão; a Meia-Final de Pólo Aquático entre os dois países acabou por estourar a tensão, e a piscina transformou-se num ringue de boxe, onde valia tudo; a polícia teve de intervir e o jogo (que ficou conhecido como “Blood in the Water”) cancelado, sendo as duas equipas desclassificadas.

Em 1968, os Jogos foram na Cidade do México, local onde os norte-americanos Tommie Smith e John Carlos fizeram a saudação Black Power durante a cerimónia de entrega de medalhas, o que acabou por lhes valer a exclusão do evento, por comportamentos contrários aos dos Jogos.

Fora do local das competições, vários manifestantes usaram o mediatismo dos Jogos Olímpicos para protestarem contra o autoritarismo do governo mexicano, que respondeu com uma repressão em larga escala, que ficou conhecida por Massacre de Tlatelolco, pois os confrontos entre polícia e manifestantes fizeram 200 mortos e mais de 300 feridos.

Em 1972, mais uma tragédia; os Jogos foram realizados em Munique (Alemanha), mas o que marcou a edição foi o sequestro e morte de 11 atletas israelitas, devido a uma acção terrorista, realizada por um comando palestiniano, que exigia a libertação de 234 terroristas em troca dos atleta, algo que acabou por nunca acontecer.

Na edição seguinte, realizada em Montreal (Canadá), aconteceu o primeiro grande boicote, pois 26 países africanos acabaram por não comparecer devido à participação da Nova Zelândia.

Dias antes, a selecção de Râguebi do país da Oceania (os All Blacks) realizaram uma partida na África do Sul, país onde existia uma política racial, conhecida por Apartheid.

A China e Taiwan, que também estavam em luta pela posse do pequeno pedaço de terra (Taiwan reclamava a independência, enquanto a China dizia que Taiwan era uma província chinesa) também não foram ao evento, que ficou ainda marcado pela acusação aos atletas da RDA, que estariam dopados.

Em 1980, a Guerra Fria provocou o maior boicote a uma edição dos Jogos Olímpicos, pois EUA e 61 aliados não foram aos Jogos Olímpicos realizados em Moscovo, em resposta à invasão do Afeganistão, por parte do exército soviético.

Quatro anos mais tarde, os Jogos foram nos Estados Unidos, mais concretamente em Los Angeles, e os países do Bloco de Leste (União Soviética mais 14 aliados) responderam na mesma moeda, ou seja, com um boicote ao evento.

O Irão e a Líbia também não foram ao evento desportivo, por existir um clima de tensão naquela região, que poderia rebentar numa guerra sangrenta e de proporções gigantescas.

Em 1988, a Coreia do Norte não quis participar no evento, que se realizou na Coreia do Sul, e Albânia, Cuba, Etiópia, Madagáscar, Nicarágua e as Ilhas Seychelles apoiaram a decisão e também não participaram na competição.

Por fim, em 2008 não aconteceu nenhum boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim, mas foi algo que esteve perto de acontecer, pois vários países acusaram a China de não respeitar os direitos humanos e de promover uma campanha de violência no Tibete, para além de apoiar o Sudão, cujo exército comete genocídios na região do Darfur.

A guerra na região da Ossétia do Sul, entre o exército russo e as forças independentistas, era outro dos motivos que podiam levar ao boicote de alguns países, o que acabou por não acontecer.

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