Hat-trick: Origem da palavra no desporto geral

Hat-trick: Origem da palavra no desporto geral

O chapéu teve bastante influência na formação da designação que agora é utilizada para referenciar o facto de um jogador ter marcado 3 golos num só jogo.

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Certamente o leitor já ouviu dizer que um qualquer jogador marcou (ou fez) um hat-trick, isto é, marcou 3 golos num só jogo. Certamente também já perguntou porque é que utilizam uma expressão relacionada com chapéus (hat), numa questão onde o referido adorno não tem um papel preponderante.

No entanto, podemos dizer que não é bem assim e o chapéu até teve bastante influência na formação da designação que agora é utilizada para referenciar o facto de um jogador ter marcado 3 golos num só jogo.

Todas as histórias que se referem à origem da palavra “hat-trick” (e são bastantes) têm 2 palavras essenciais: Chapéus e Três.

De seguida, iremos apresentar três (um número escolhido ao acaso) dessas histórias, para o leitor ficar um pouco mais elucidado sobre esta estranha palavra.

A primeira (e também a mais antiga) remonta ao ano de 1858 e refere que a palavra hat-trick foi utilizada depois da exibição de H. H. Stephenson num jogo de cricket. Nessa partida, o jogador acertou em três wickets (peça situada atrás do batedor) com três bolas, o que lhe deu o direito a ganhar um chapéu oferecido pela sua equipa ou então de passar um chapéu pelas bancadas pedindo um pequeno donativo para o clube. Anos mais tarde, o jornal The Sportsman escreveu pela primeira vez a palavra para referir o facto de o jogador Spofforth ter eliminado 3 batedores num jogo a contar para a Liga Australiana de Cricket.

A segunda é um pouco mais moderna mas, ainda assim, tem 70 anos. Em 1946, o jogador Alex Caleta, dos Chicago Blackhawks, quis comprar um chapéu numa loja, mas não tinha dinheiro suficiente e por isso pediu um desconto. No entanto, o vendedor, Sammy Taft (adepto da equipa de Chicago), era um pouco avarento e ficava irritadíssimo cada vez que alguém lhe pedia um desconto. Tal irritação levou Taft a fazer um desafio a Caleta: “Se hoje marcares três golos aos Toronto Maple Leafs, ofereço-te o chapéu”, pensando que este nunca o conseguiria realizar, pois naquela altura a diferença de qualidade das duas equipas era enorme, com vantagem para a formação canadiana. Porém, Caleta não foi de modas e não só cumpriu a promessa, como ainda marcou um golo de bónus, deixando Taft ainda mais irritado e com menos um chapéu.

Finalmente, a terceira remonta a 1950 e está relacionada com os Baltimore Madhatters e com o principal patrocinador da equipa, um conhecido fabricante de chapéus no Canadá. No princípio da temporada, para dar visibilidade à marca e motivar os atletas, todos os jogadores que marcassem três golos num só jogo receberiam um chapéu à escolha e completamente grátis.

Para além do hat-trick, os norte-americanos também inventaram o rat-trick. Em 1996, os jogadores dos Florida Panthers usaram pela primeira vez esta palavra depois de Scott Mellanby, uma das figuras da equipa, ter marcado dois golos num jogo e ter matado um rato que invadiu o balneário da equipa. Depois deste episódio, sempre que um jogador dos Panthers marcasse dois golos, os adeptos da equipa atiravam para o campo um rato de plástico ou de pano para “ser morto” pelo jogador, realizando assim o “rat-trick”. No entanto, a história não foi mais além, pois a NHL proibiu o lançamento de qualquer objecto para o campo, o que poderia pôr em causa a integridade física dos jogadores e da equipa de arbitragem.

Depois do leitor ler este artigo, acreditamos que passará a festejar um hat-trick de um jogador da sua equipa favorita com outro gosto; ou até, quem sabe, com um lançamento de um chapéu para dentro de qualquer campo desportivo espalhado por esse mundo fora…






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