Emídio Guerreiro destaca impacto do Desporto na economia nacional

Emídio Guerreiro destaca impacto do Desporto na economia nacional

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Este evento alerta bem para a importância do desporto e destaca um tema que normalmente passa ao lado: a economia em torno do desporto“, referiu hoje Emídio Guerreiro, secretário de Estado do Desporto e Juventude, na sua intervenção na sessão de abertura da segunda edição do Fórum Nacional do Desporto, organizado pelo comité temático LIDE Desporto, do LIDE Portugal – Grupo de líderes empresariais.

Emídio Guerreiro - SE do Desporto no 2º Fórum Nacional do DesportoO evento que reúne hoje empresários, políticos e desportistas no Hotel Dom Pedro Palace, em Lisboa, pretende debater e analisar os novos rumos e oportunidades de financiamento para o desporto nacional.

Na sua intervenção, Emídio Guerreiro, afirmou que “o desporto não termina num evento desportivo. Há toda uma cadeia de valor que lhe está associada“.

Para o secretário de Estado, “a economia associada ao desporto tem um papel central e transversal“, mas os seus resultados surgem atribuídos ao turismo. De acordo com Emídio Guerreiro está prevista a criação de uma ‘conta-satélite’ sobre o desporto, uma hipótese corroborada pelo INE – Instituto Nacional de Estatística, que concluiu a sua viabilidade, com o objectivo de avaliar o impacto do desporto na economia nacional.

A par da criação de instrumentos que permitam compreender e avaliar a dimensão económica do desporto, o secretário de Estado defendeu ainda a importância de haver uma coordenação do desporto com outras áreas estratégicas da economia, de forma a que se possam ‘afinar políticas’ que permitam potenciar o crescimento do sector.

Emídio Guerreiro afirmou ainda que “os eventos desportivos têm um impacto significativo nas economias locais“, e salientou a necessidade de se aproveitarem as infraestruturas existentes para a prática desportiva, dando o exemplo dos centros de alto rendimento. O secretário de Estado considera ainda que o País tem excelentes condições geográficas, sociais e ambientais que devem ser aproveitadas para potenciar a prática desportiva.

Após a sessão de abertura, decorreu o primeiro painel da manhã, com o tema ‘Que financiar?’, moderado por João Pedro Mendonça, jornalista desportivo da RTP, que contou com a participação de Abel Santos, professor da Escola Superior de Desporto de Rio Maior; de Simão Morgado, antigo nadador olímpico; e de Carlos Marta, presidente da Fundação do Desporto, que na sua intervenção teve oportunidade de dar a conhecer o trabalho da instituição no âmbito da formação e apoio de atletas de alta competição, essencialmente através da coordenação e gestão dos centros de alto rendimento.

O responsável destacou o mecenato como sendo actualmente a principal fonte de financiamento desportivo, além do financiamento público, e partilhou o trabalho que a instituição que representa tem vindo a desenvolver no sentido de serem feitas alterações legislativas associadas ao mecenato desportivo.

Por sua vez, Abel Santos teve oportunidade de caracterizar o desporto como um instrumento de responsabilidade social, e mostrou que não há apenas uma forma desta ser ‘entendida’ pelas empresas, havendo perspectivas filantrópicas, económicas, éticas e legais. Nesta óptica, o professor deu a conhecer a Escolinha de Rugby da Galiza, um exemplo de responsabilidade social no desporto, que funciona como um projecto de integração e formação pessoal de jovens carenciados, envolvendo as suas famílias. A par deste exemplo, Abel Santos apresentou ainda os projectos Surf Art, relacionado com o surf, e Vela Solidária, envolvendo a prática de vela.

Simão Morgado partilhou na sua intervenção a experiência relativa ao financiamento desportivo, enquanto atleta, e teve ainda a oportunidade de dar a conhecer a sua transição do mundo desportivo para o mundo empresarial com a criação, em 2010, da Scullings, uma marca de equipamento desportivo.

Relativamente ao apoio financeiro específico a desportistas em Portugal, Simão Morgado referiu que “são poucos os atletas financiados por empresas” e comparou a realidade portuguesa com a de outros países, como o Brasil, onde “os atletas são dos que têm melhores condições fruto do financiamento, algo que poderá estar relacionado com a legislação do mecenato“.

O segundo painel da manhã pretendeu responder à questão ‘Porquê financiar’, e foi moderado por Fernando Veiga Gomes, líder da área de Direito do Desporto da Abreu Advogados. Neste debate estiveram presentes Miguel Oliveira, piloto de GP Moto3; Nuno Delgado, antigo atleta olímpico de judo; Teresa Godinho, CEO da seguradora Allianz; e Alberto Bichi, secretário geral da Federação Europeia da Indústria de Material Desportivo, que deu a conhecer o trabalho da instituição desenvolvido em várias áreas de grande importância para o desporto, com destaque para a investigação e segurança.

Miguel Oliveira, partilhou o seu dia-a-dia enquanto atleta de alta competição; embora seja praticante de um desporto motorizado, grande parte do seu treino tem uma componente física bastante acentuada. Sobre os patrocínios à sua atividade, Miguel Oliveira refere que “o Moto GP é uma grande plataforma de comunicação” e deu o exemplo da marca Estrella Galicia, sua patrocinadora, que “em 2012 tinha 6% de quota de mercado em Espanha, e em 2013 esse valor duplicou e permitiu-lhe expandir-se para outros mercados“.

Teresa Godinho mostrou o lado do patrocinador, partilhando a experiência da Allianz, uma empresa que aposta fortemente no patrocínio desportivo em várias modalidades, desde o futebol ao golfe, passando pelo rugby, surf, entre outros. A responsável considera que face às inúmeras ofertas e possibilidades de patrocínio, é importante que as instituições apresentem projectos bem estruturados e que possam dar retorno à marca. Uma ideia partilhada por Nuno Delgado que na sua intervenção apresentou o seu projecto, a Escola de Judo Nuno Delgado, que aposta fortemente na formação desportiva de novos atletas.

O último painel do dia, com o tema ‘Como financiar?’, irá analisar as melhores formas de utilizar o patrocínio desportivo sob a moderação do director do jornal ‘Record’, António Magalhães. Nesta sessão, José António Gutiérrez, da empresa espanhola Infinit C, abordará as valências do patrocínio desportivo, assim como o consultor em marketing digital de desporto, Marcos Castro.

Por sua vez, Rita Santos Rocha trará a debate o Turismo desportivo. Antes da sessão de encerramento do evento, haverá lugar à homenagem ao professor Manuel Sérgio, com a entrega do ‘Long Time Achievement Award’.