O dia em que Mário Soares salvou a carreira de Paulo Futre

O dia em que Mário Soares salvou a carreira de Paulo Futre

O ex-político criou um estatuto que salvou Paulo Futre da tropa, numa altura em que o jogador estava no auge da sua carreira

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O ex-Presidente e Primeiro-Ministro de Portugal Mário Soares faleceu este Sábado, depois de ter estado internado no Hospital da Cruz Vermelha (em Lisboa) durante 25 dias.

Apesar do político não ter uma vida ligada ao desporto, Soares teve um papel fundamental na carreira do ex-internacional português Paulo Futre, que jogou nos chamados “3 grandes” de Portugal e também nos espanhóis do At. Madrid.

Foi precisamente na ida do jogador para Espanha que Mário Soares interveio a pedido de Futre, que falou com ele pessoalmente, considerando como um “grande herói pessoal”.

Em declarações ao Jornal Record, o ex-avançado refere que “como político não sei caracterizar o Sr. Soares, agora como homem foi muito importante; recordo-me que em 1987, o FC Porto acertou a minha transferência para o At. Madrid, mas entretanto recebi uma carta para me apresentar na inspecção militar a 1 de Setembro; como era desportista já sabia que ia ficar apto e teria de cumprir os obrigatórios 16 meses, o que me estragava a carreira; em Espanha foi um grande escândalo e o At. Madrid ficou muito preocupado, pois naquela altura eu era a segunda contratação mais cara do futebol, atrás de Diego Maradona”.

Como em Portugal, Futre era “um exemplo para os jovens”, o Estado fazia uma forte pressão para o jogador cumprir o Serviço Militar, pois caso contrário seria considerado “refractário” e não poderia entrar em Portugal durante 5 anos, sob pena de ser preso.

Os advogados entraram então em acção, mas quem acabou por resolver o problema foi Mário Soares, que era Presidente da República e telefonou para a Embaixada de Portugal em Espanha e pediu um encontro com o jogador.

Paulo Futre recorda a conversa, que teve de se realizar por telefone: “Disse ao Sr. Soares que era importante para o país que eu singrasse em Espanha, porque na altura não havia mais nenhum jogador português a jogar no estrangeiro; fiz-lhe ver que era importante e ele respondeu que ia pensar no assunto e me dar uma resposta no dia seguinte”.

“E assim foi, no dia seguinte fui chamado à Embaixada e o Sr. Soares disse-me que tinha resolvido o meu problema com a criação do estatuto de atleta de Alta Competição e que iria ficar livre da tropa durante 8 anos”, recorda Futre, com alguma emoção.

“Chorei de alegria, fui o primeiro a beneficiar de tal estatuto, que mudou a vida dos futebolistas e dos desportistas no geral”, acrescentou.

Uns tempos depois, encontram-se pessoalmente na embaixada.

“Tu és um campeão, não me falhaste, és mesmo um grande jogador”, disse-lhe Mário Soares, completou Paulo Futre, algo emocionado.