Jogos Paralímpicos: Cerimónia de Abertura marcada por momentos soberbos e vaias

Jogos Paralímpicos: Cerimónia de Abertura marcada por momentos soberbos e vaias

A meio da sua intervenção, Nuzman agradeceu à classe política e os espectadores assinalaram este momento com uma vaia monumental

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Decorreu na madrugada desta 5ª Feira a Cerimónia de Abertura dos Jogos Paralimpicos Rio’2016, marcada por muita cor, música, alegria e por um momento menos bonito, mas que nada teve a ver com desporto.

A festa começou com samba, como não podia deixar de ser, e continuou com a tradicional parada dos atletas, que fechou com a delegação do Brasil, que estava completamente eufórica.

Durante a entrada dos atletas, cada uma das senhoras que os acompanhavam tinham nas mãos uma peça gigante de puzzle com o nome do país numa das faces e na outra várias fotografias de alguns atletas do respectivo país.

Todas estas peças foram colocadas de forma ordenada no chão, para depois no final formar um coração humano gigante, que estava muito bem representado, pois tinha as veias principais e todas as outras veias que irrigam este importantíssimo órgão humano.

Depois desta grande momento, Carlos Arthur Nuzman (Presidente da Comissão Organizadora dos Jogos Paralímpicos) e Sir Philip Craven (Presidente do IPC) foram chamados ao palco para fazer os habituais discursos, que acabaram por não correr bem, especialmente o discurso do dirigente brasileiro.

A meio da sua intervenção, Nuzman agradeceu à classe política e os espectadores acabaram por assinalar este momento com uma vaia monumental, que obrigou o dirigente a permanecer calado durante largos segundos.

Quando o actual Presidente do Brasil, Michel Temer declarou abertos os Jogos Paralímpicos também recebeu uma vaia enorme, abafada rapidamente pela instalação sonora do estádio que passou música “mexida” em alto e bom som.

Após esta situação menos bonita, o espectáculo continuou com muita cor, luz e música, pois no centro do relvado vários bailarinos invisuais ofereceram apontamentos verdadeiramente incríveis.

A entrada da bandeira paralímpica foi outro momento alto, pois foi “transportada” por crianças deficientes (paralisia cerebral) acompanhadas por adultos bem conhecidos da sociedade brasileira.

A seguir ao hino paralimpico, um momento verdadeiramente soberbo protagonizado por uma atleta/bailarina norte-americana com duas próteses (estilo Pistorius) no lugar das pernas, que tiveram de ser amputadas depois de ter sofrido uma grave forma de meningite.

Quando entrou a Tocha Olímpica apareceu também a chuva, que dificultou o transporte deste símbolo olímpico pelos ex-atletas paralimpicos (uma ex-atleta, com dificuldades de locomoção acabou mesmo por cair, mas foi logo ajudada pelos voluntários destacados para esta cerimónia).

Clodoaldo Silva, nadador que vai terminar a carreira após estes Jogos Paralímpicos, teve a honra de acender a chama olímpica, que estava no cimo de uma grande escadaria, que se transformou em rampa, para o atleta (que só se desloca em cadeira de rodas) poder chegar ao caldeirão.

A festa terminou com a música de Seu Jorge e com muito fogo de artifício lançado do tecto do estádio do Maracanã, que viveu mais uma noite que vai ficar na memória de todos aqueles que assistiram ao maravilhoso espectáculo.