Carlos Queiroz: “Só um ‘milagre’ poderá colocar o Irão no Mundial’2018

Carlos Queiroz: “Só um ‘milagre’ poderá colocar o Irão no Mundial’2018

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O seleccionador do Irão, o português Carlos Queiroz, disse este Domingo que só um “milagre” poderá colocar o Irão no Campeonato do Mundo de Futebol, que se disputa em 2018, em várias cidades da Rússia.

A qualificação da Zona Asiática já começou e o técnico da formação iraniana prepara agora o complicado desafio frente a Guam, que neste momento está a liderar o grupo, que tem ainda o Turquemenistão e a Índia.

Aos 62 anos, Carlos Queiroz está apostado em ser um dos poucos treinadores a levar 4 Selecções diferentes a um Campeonato do Mundo, o que seria um feito notável e digno de registo.

No entanto, por agora só pensa no Irão e no apuramento para o segundo mundial consecutivo, algo que não conseguiu quando orientou a África do Sul e a equipa portuguesa.

O feito é complicado, apesar de haver 4 lugares disponíveis para as Selecções asiáticas, como explica Queiroz: “As pessoas pensam que é fácil porque há 4 lugares, mas 3 destes lugares estão praticamente assegurados pelos gigantes Austrália, Coreia do Sul e Japão”.

“Depois sobra apenas 1 lugar para o Irão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Uzbequistâo, China e Coreia do Norte, ou seja, 7 nações que têm recursos financeiros e instalações praticamente idênticas”, disse ainda Queiroz.

O Irão sofreu várias sanções internacionais durante 8 anos e isso prejudicou claramente o desenvolvimento futebolístico no país, como refere o seleccionador: “Durante muito tempo o Irão lutou com as instâncias internacionais para ter algum dinheiro, mas nada; depois, tentou arranjar cachês em jogos e eventos internacionais, mas ninguém convidava o Irão, pois estava conotado como pertencente ao «Eixo do Mal»; os próprios iranianos também não ligam muito ao Futebol, preferindo outros desportos, como Luta Livre e Halterofilismo; com bons jogadores, alguma paixão e dinheiro, acredito que faríamos um grande brilharete no Campeonato do Mundo”.

Em 2014, as sanções foram levantadas, mas Queiroz não acredita em grandes mudanças, embora o Irão tenha ido ao Mundial no Brasil, com “fundos vindos da FIFA e que muito jeito deram”.

“Foi bom, mas pouco, pois para além do dinheiro, há que ter experiência, pois todos os seleccionáveis já têm uma idade avançada; para além disto, a nossa preparação tem de ser diferente, pois os outros jogam com Selecções e nós temos de jogar com equipas da II Divisão da África do Sul, porque mais ninguém quer jogar com o Irão; assim não há quem ganhe experiência”, continuou Queiroz.

Sobre o Mundial’2014, as lembranças ainda estão “quentes”, especialmente o jogo com a Argentina, último desafio da equipa iraniana no torneio que se disputou em terras de Vera Cruz.

O Irão perdeu por 1-0, com um golo de Lionel Messi ao minuto 91(!), mas o árbitro errou ao não assinalar uma grande penalidade, aos 55 minutos, depois de Pablo Zabaleta ter derrubado Ashkan Dejagah em plena grande área.

“Antes do jogo, sabia que tínhamos condições de ganhar, mas não contei com a participação do árbitro e de Deus, pois o primeiro tirou-nos o penalti e o segundo fez com que Messi nascesse argentino e não iraniano; estou a brincar, mas aquele «não penalti» ainda está na nossa memória”, disse Queiroz.

A campanha para o Mundial’2018 está a correr conforme o previsto, mas o empate (1-1) frente ao Turquemenistão deixou as contas um pouco mais complicadas, nada que assuste Carlos Queiroz.

“Temos uma equipa sem experiência, é verdade, mas não há desculpas; esperava um pouco mais, pois o relvado estava bom, o tempo estava bom e, por isso, não há desculpas; ah! o árbitro também esteve bem (risos)”, disse Queiroz.

Na próxima 5ª Feira, o Irão defronta Guam, que neste momento está na liderança do grupo, com 6 pontos, depois de ter ganho ao Turquemenistâo e à Índia, a equipa mais fraca do grupo.

Guam é uma equipa sem experiência a nível internacional, mas Queiroz está cauteloso, pois a pequena equipa da ilha asiática tem “um monte de jogadores experientes, que jogam nas ligas norte-americanas, que são fortes; além disso, já fui a Guam e eles têm uma cultura desportiva acima da média, pois todos os jovem fazem desporto, e muitos querem representar a Selecção; é uma equipa bem organizada, disciplinada e vai ser muito complicado”.

Para terminar, Carlos Queiroz sabe que não é fácil ser treinador, mas “um treinador tem de saber que está destinado a sofrer; temos de dar o nosso melhor e esperar que os resultados sejam bons”.

Depois de treinar o Estoril-Praia (como adjunto), a Selecção de Sub-20 de Portugal, o Sporting, o MetroStars, o Nagoya Grampus Eight, a Selecção dos Emirados Árabes Unidos, a África do Sul, o Manchester United (como adjunto), o Real Madrid e a Selecção principal de Portugal, Queiroz chegou ao Irão em 2011 e tem como objectivo principal apurar a Selecção para o Mundial’2018, que se disputará na Rússia.

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