Biografias: Paulo Futre

Biografias: Paulo Futre

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Para além do Benfica, outro ícone do desporto português festeja o seu aniversário no dia 28 de Fevereiro; falamos de Paulo Jorge dos Santos Futre, mais conhecido apenas como Futre.

O ex-jogador, que curiosamente jogou pelos 3 “grandes” do futebol luso, nasceu no Montijo no ano de 1966, meses antes dos “magriços” fazerem um grande “brilharete” na Inglaterra, durante o Campeonato do Mundo.

Desde tenra idade, Futre mostrou apetência para o futebol. Começou a jogar no modesto Montijo, mas rapidamente despertou o interesse do Sporting, onde ingressou em 1975, ou seja, com apenas 9 anos de idade.

Fez toda a formação nos “leões” e na época 1983/1984 (aos 17 anos) foi chamado à equipa principal, logo na 2ª Jornada, depois de gorado o seu empréstimo à Académica de Coimbra, que não aceitava pagar metade do salário do talentoso ex-jogador.

Depois de uma temporada ao mais alto nível, Futre pediu à direcção do Sporting um aumento de ordenado, pois tinha atingido a maioridade e queria começar a ser independente. Os dirigentes “leoninos” não lhe fizeram a vontade e o ex-jogador “refugiou-se” em casa dos seus pais, no Montijo.

Após alguns avanços e recuos, Futre rescinde o contrato com o Sporting e vai “bater à porta” do FC Porto, que o aceitou de imediato, pois no plantel existia uma lacuna onde o ex-jogador se encaixava na perfeição.

Durante 3 anos, jogou ao mais alto nível, conquistando pelos “azuis e brancos” dois campeonatos portugueses e uma Taça dos Campeões, frente ao poderoso Bayern de Munique, que muitos entendidos consideravam imbatível.

As grande exibições do talentoso futebolista português chegaram até Espanha, mais concretamente ao At. Madrid, que o contratou por uma verba astronómica, segundo os dois clubes envolvidos na transferência, pois o valor da mesma nunca foi relevado, apesar de ter sido bastante especulado.

Em Espanha, Futre apenas conquistou duas Taças do Rei e teve alguns problemas com o então presidente do clube madrileno Jesus Gil y Gil, que começou por ser muito amigo do português, mas 6 anos depois estava descontente com a atitude do jogador, já que este parecia bastante desmotivado.

Na mesma altura chegava à presidência do Benfica o carismático presidente Jorge de Brito, que tentou contratar Futre a qualquer preço, pois alguns adeptos consideravam que o jogador representava a mística “encarnada”, por ter nascido no mesmo dia em que o clube foi fundado, embora em anos diferentes.

Depois da conquista de uma Taça de Portugal e de vários problemas, devido à débil situação financeira e directiva do Benfica, Futre resolve aceitar um convite do Olympique de Marselha. A temporada em França até começa bem, mas uma grave lesão num joelho atira o jogador para a mesa de operações, ficando vários meses inactivo.

Após uma longa recuperação, Futre voltou ao activo, mas já sem o fulgor que o tinha notabilizado, saindo do Marselha pela “porta pequena”. Até ao fim da carreira, Futre ainda teve uma experiência no futebol italiano, primeiro no Reggina e depois no AC Milan, mas o joelho não dava para mais, e o jogador resolve “pendurar as chuteiras”, depois de fugazes passagens pelo West Ham e pelos japoneses do Yokohama Flugels.

Entre 2001 e 2004, Futre foi ainda Director Desportivo do At. Madrid, tendo ficado afastado do mundo desportivo, até regressar a Portugal.

Em Março de 2011 voltou à ribalta do futebol português, como futuro director-desportivo do Sporting, caso Dias Ferreira ganhasse as eleições do clube leonino, que vivia (e ainda vive) uma crise de resultados, que levaram à demissão do Presidente José Eduardo Betencourt.

A campanha estava a correr dentro da normalidade mas, numa sessão de esclarecimentos, Paulo Futre apareceu com um ar no mínimo estranho (hiper-activo e de olhos esbugalhados), com um discurso fora do normal. Desde a célebre frase “vamos contratar o melhor chinês da actualidade”, passando pela não menos célebre “vão vir charters cheios de chineses só para ver jogar o Sporting”, até ao pedido de menos fotografias a um foto-jornalista, que Futre chamou de “sócio”, o seu comportamento deixou os adeptos do Sporting de “pé atrás” em relação a ele e a Dias Ferreira.

Nunca se soube se essas atitudes eram verdadeiras ou teatrais, mas o que é certo é que depois do sucedido a vida do ex-futebolista deu uma volta de 180º, passando a ser chamado para programas dos Gatos Fedorentos, para anúncios a uma marca de licor e a um aparelho de ginástica, e para entrar numa telenovela, fazendo dele próprio, que seria o futuro director-desportivo do Ribeirense Futebol Clube, se a personagem Armando Coutinho (interpretada pelo actor João Ricardo) fosse eleito presidente da pequena colectividade fictícia.

Jornalista: João Miguel Pereira